Dor no corpo e prazer na alma: BDSM

Por Venâncio Monteiro (2012):
O BDSM assim como é conhecido e descrito atualmente tem apenas início após a Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 40 e de 50. Surge, nos E.U.A., um grupo denominado por “Velha Guarda” ou “Movimento Leather (Couro)”, constituído por homossexuais do sexo masculino que adoptavam a aparência dos motards cujas normas excluíam mulheres e heterossexuais. O uso do couro e do cabedal, juntamente com os princípios militares e disciplinares provenientes da carreira militar de muitos deles, são ainda estandartes da subcultura BDSM. Durante os anos 80, começam a surgir grupos de BDSM heterossexuais, ao mesmo tempo que as raízes beligerantes e motards do meio se iam atenuando, e novas influências emergiam. Muitos designam esta segunda vaga como “Nova Guarda” 
De um modo geral, o acrónimo pode ser dividido e definido nas seguintes categorias:
Bondage /Disciplina (B/D): conjunto de práticas de ordem diversa que se centram, sobretudo, em situações de constrangimento físico (bondage que, no sentido original da palavra significava condição de escravo/escravatura), humilhação e castigo (no sentido disciplinar e corretivo, ou seja, como punição por determinada ação supostamente inapropriada, real ou hipotética), estimulação e controlo sensorial, incluindo do orgasmo.
Dominação/submissão (D/s): consiste na procura deliberada e consciente de uma relação onde existe uma desigualdade de poder entre os envolvidos, nomeadamente no que respeita ao controlo físico, psicológico e emocional, para obtenção de prazer. Existem, assim, papéis diferenciados e diferenciadores, que designam a posição de cada um no seio dessa relação, através de uma troca erótica e consensual de poder, também conhecida como “troca total de poder” no caso das relações 24/7.
Sadismo/Masoquismo ou Sadomasoquismo (S/M): práticas que envolvem a erotização de atividades relacionadas com a dor e o sofrimento. Como previamente referido relativamente à emergência destes conceitos, sádico é o termo que ficou associado ao elemento que provoca a dor ou sofrimento, enquanto o masoquista é aquele que sente satisfação em ser alvo dessa ação.
Sacrifice of the bastet ingenue by arachneavolpe
“(…)Eu, por exemplo, era incapaz de dominar vestida normalmente, eu só domino de látex. Acho que a roupa, até parece como o Carnaval, mas é verdade, eu, ao vestir um vestido de látex, a minha personalidade muda automaticamente(…). Mas, muda mesmo, quer dizer, é outra pessoa que está ali. A maneira de falar, a maneira de agir, tudo, é uma pessoa diferente.(…) Eu posso estar a falar contigo muito agradável, muito acessível, muito simpática, muito tudo. Passo para a sessão, entra o vinil, não vês um sorriso, sou bastante dura, bastante mesmo.”  
Baronesa, Dominadora, 40 anos, divorciada, gestora. 

"Para mim (…) o BDSM é algo que (…) me satisfaz, que me satisfaz muito e do qual eu necessito em determinadas ocasiões. Mas não é algo que fosse incapaz de passar… sem BDSM, passava perfeitamente, não (risos)!Mas, se não existisse, não iria ser uma tragédia." 
Da, Dominador, 56 anos, divorciado, funcionário público.

“É um escape à vida quotidiana normal, é um escape..”
NecroSavant, Dominador, 27 anos, solteiro, entrevistador. 

“Para mim, é assim, é uma quebra de rotina, ou seja, vivo sem ele perfeitamente..hã…claro que ia me faltar qualquer coisa, sem dúvida, mas não tenho qualquer obsessão.”
Baronesa, Dominadora, 40 anos, divorciada, gestora.

“(…)Eu, com a mesma pessoa, não consigo ter uma relação de dominação e de submissão ao mesmo tempo, porque, se eu vejo uma pessoa como Dominadora, não vou tentar dominá-la. Se eu vejo uma pessoa como submissa, eh pá, não me vou submeter a ela.(…) Se tu tens a expectativa de ser dominado e, de repente, alguém te diz :«Não, tu vais ter de dominar!», é tão errado, é…todas as tuas bases caem por terra mesmo e tu ficas sem saber o que fazer, é uma sensação de impotência brutal.”
Lublin, switcher, 35 anos, solteiro, gestor.

“Sou sempre eu a levar os outros pela mão. Eu protejo toda a gente, eu levo toda a gente atrás de mim…Sempre senti falta do contrário(…). Eu acho que esta história do BDSM, acima de tudo, e foi isso que se notou desde os treze ou catorze anos, era a necessidade que alguém me pegasse pela mão e me levasse a mim. (…) Há alguém que toma conta de mim, que me deixa…que me leva pela mão, que eu posso confiar e que posso, finalmente, baixar a guarda, sem ter que dar contas a ninguém.”
Bondarina, submissa, 42 anos, solteira, jornalista. 

“ O ideal tem que ser com uma pessoa que eu conheça, ou seja, tem que ser uma pessoa em quem eu confie: ela a mim e eu a ela. Não faço play a ninguém que eu conheça meia hora depois no clube, não, não faço. E tem que haver ali já um ideal de conversa(…).” 
NecroSavant, Dominador, 27 anos, solteiro, entrevistador

Imagens retiradas do google:
No blog há filmes que expressam um pouquinho o tema como Little Deaths e Mondo Weirdo, outros abordam ainda mais como Singapore Sling, School Of the Holy BeastIlsa she Wolf Of SS e Inner Depravity entretanto, é em Graphic Sexual Horror (2009) (Em breve com legenda em português no blog) que encontramos um filme especificamente sobre Bondage! "O filme mostra os bastidores do mais notório website de bondage da internet. Explora a mente obscura de seu criador e questiona sobre a responsabilidade pessoal de se manter um site com conteúdo tão pesado. Entrevistas revelam profunda fascinação pelo bondage e o sadomasoquismo, e demonstram sua irreversível e forte relação com a sedução do dinheiro" (filmow).

Referências:
VENÂNCIO MONTEIRO, Núria Augusta. Dor no Corpo e Prazer na Alma A Construção Do Significado e Da Identidade No BDSM. 2012. VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA. 19 a 22 junho, 2012. Universidade do Porto - Faculdade de Letras - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

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