Exitus II: House of Pain (2008)

Diretor: Andreas Bethmann
Duração:  95 minutos
País de origem: Alemanha
Áudio: Alemão | Legenda:

Sinopse: Exitus II: House of Pain é a continuação direta de Exitus Interruptus. Então é Andreas Bethman que retoma as hostilidades desse filme trash (lixo), gore e pornográfico.
Lembra que o primeiro tava mó sujo? E nada perturbador. 
Em Exitus 2, a vítima do assassino sádico, Manuela, desaparecida, o criminoso abominável também.
A jovem, Sophie, investiga o assassinato de sua irmã Monique. Ela e sua namorada então vão para a cena do drama, a casa abandonada. Finalmente ... Abandonada ... não tanto, já que a casa lhes dará respostas para suas muitas perguntas.
Sophie encontra o cadáver de Monique: sua irmã está morta e o corpo está em estado de decomposição. Um misterioso assassino mascarado fez sua aparição e toca o terror. Menos requintado que o primeiro Exito em termos de torturas sádicas, o Exitus 2 ainda permanece na mesma linhagem.
Há uma falta de orçamento e talento e é tão ruim (apesar da pornografia) como seu antecessor, PORÉM é claro que deve estar aqui, pois é um filme "undirgraud" não tão simples encontrar na internet.
2 anos se passaram desde os terríveis acontecimentos na Casa do Exito. Sophie (Mia Magic), a irmã da assassinada Monique, sofre com o fato de que o corpo de sua irmã nunca foi encontrado e o assassino nunca foi levado à justiça. Ela acredita que Monique ainda pode estar viva e ser mantida prisioneira do psicopata.

 É filmado, editado, escrito e dirigido por Andreas Bethmann, ele também fez a trilha sonora. A série Saw é reconhecível como uma das fontes de inspiração. Sendo este um filme de Bethmann, você pode contar com abundantes quantidades de nudez, mas há menos sexo explícito neste filme em comparação com o anterior. Como o elenco temos um grupo de mulheres que mais ou menos eu acho que tem um histórico anterior na indústria do cinema adulto; Renee Pornero, Mia Magia, Natascha Nós e Suzi-Anne, a última é a mais bonita.
As atrizes principais infelizmente nem sempre são bonitas de se ver, apesar de estarem nuas numa grande parte do filme e a atuação deixa muito a desejar. A iluminação é boa, o trabalho da câmera sabe como agradar, os cenários são bastante elegantes e a música é discreta mas apropriada. Há cenas de tortura, degradação, necrofilia e canibalismo, mas essas cenas são tão mal encenadas que perdem muito do impacto. Não há gore suficiente para satisfazer os gorehounds e os efeitos especiais, estes todos vêm das mãos do diretor não são realmente bons e não são muito convincentes. O filme é muito chato, só acontece muito pouco e quando finalmente acontece o tempo foi longo. E há uma falta geral de lógica. Esta revisão é baseada na versão Hardcore gore lançada pelo X Rated Kult DVD, apenas em alemã (daydreamer, 2012).
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Feed (2005)


Outros títulos: Feed - Fome Assassina
Diretor: Brett Leonard 
Duração: 101 minutos
País de origem: Austrália
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: Phillip Jackson (Patrick Thompson) é um policial que trabalha como cyber-investigador de sites pornográficos. Até que um dia ele descobre um site chamado Feeder, pertencente a Michael Carter (Alex O'Loughlin), um homem psicótico que admira mulher obesas. No site ele alimenta suas vítimas até a morte, filmando este processo e transmitindo-o pela internet, para uma clientela seleta. Durante sua investigação Phillip descobre que Michael é americano, o que o faz deixar a Austrália rumo aos Estados Unidos para tentar capturá-lo.

"Feed" funciona razoavelmente bem em um nível visceral e doloroso, embora seja difícil para algumas pessoas assistirem. Nem sempre terrivelmente coerente, ou crível, também sofre de um "herói" que simplesmente não é muito bom em seu trabalho. No entanto, ele está segurando em seu próprio caminho sórdido. As performances geralmente são boas, embora o cinema tenda a recorrer a essa edição padronizada de herky-jerky com muita frequência. Existem também algumas opções apropriadas de trilha sonora. Os efeitos são muito grosseiros às vezes. A julgar pelo texto de abertura, parece que o diretor Brett Leonard (do famoso "The Lawnmower Man") e a empresa estão usando a história como algo para fazer um comentário sobre os hábitos alimentares excessivamente pobres dos norte-americanos, bem como sobre o corpo imagem. Há um pouco de alimento para pensar aqui, se alguém vai perdoar a expressão.
Não é um perturbador tipo Cannibal Holocaust, Salo, Hostel, Se7en, seu horror é simplesmente por causa do assunto, não sangue. Para alguns críticos um filme ruim, muito ruim, para outros muito bom, um filme dividido. Talvez faltou abordar um pouco o assunto sobre o fetiche dos fãs? (os loucos iriam gostar). Alguns pararam de comer ao assistir o filme, eu não.
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Martyrs (2008)


Outros títulos: Mártires
Diretor: Pascal Laugier
Duração: 99 minutos
País de origem: França | Canadá
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: França, começo dos anos 70. Lucie uma garota de 10 anos, esteve desaparecida por um ano quando é finalmente encontrada numa estrada, louca e desorientada, sem conseguir contar o que aconteceu. Seu corpo apesar de maltratado não tem indícios de violência sexual, então é levada a um hospital onde se afeiçoa a outra garota chamada Anna, que passa a cuidar dela e estreitar os laços de amizade para que supere a experiência traumática que viveu. 15 anos depois, Lucie está completamente fora de controle, em busca dos responsáveis por todo aquele sofrimento, envolvendo Anna em acontecimentos com consequências imprevisíveis.

Martyrs pode ser traduzido como Mártires ou como Testemunhas. Ambas as interpretações cabem ao filme que causou polêmica na época de seu lançamento. Os realizadores chegaram a enfrentar censura, algo que quase sempre é um bom marketing para filmes que se propõem a extremos, como todos da atual onda européia de terror e exploitation: Alta Tensão, de Alexandre Aja, A Invasora, Eles, A Fronteira, [REC] e até mesmo Irreversível, de Gaspar Noé, que apesar de não ser assumidamente do gênero, certamente é uma influência. O que difere esses filmes violentos de similares americanos e japoneses é um enfoque mais humano e a quase unânime presença de protagonistas femininas.

O quanto menos se sabe sobre Martyrs melhor, pois o roteiro revela detalhes sobre personagens e trama compassadamente ao longo da narrativa. Mas pode-se dizer que a premissa é a história de Lucie, uma menina que fugiu do cativeiro onde sofria abusos; na instituição onde se recupera conhece Anna, e as duas criam um forte laço. Depois de adulta, Lucie ainda está atormentada pelos traumas de infância e deseja se vingar daqueles que arruinaram sua vida, mas acaba mergulhando num pesadelo onde arrasta Anna consigo.

O filme pode ser dividido em três atos: nos dois primeiros há elementos que remetem ao terror japonês e revenge movies, embora esbarre no melodrama. Apesar de uma produção modesta, a direção é eficiente, procurando transições, movimentos e cortes que ajudam a sustentar um ritmo tenso e cada vez mais sufocante. Embora abandone o tom mais realístico dos dois primeiros, o terceiro e último ato é o mais surpreendente e difícil, lidando com um tema metafísico e desafiando o espectador a testemunhar o enorme sofrimento da protagonista, uma conclusão surreal que deixa margem a interpretações.

O diretor e roteirista Pascal Laugier, imprime um tom depressivo que permeia o filme inteiro e tenta criar um revenge / torture movie com mais ênfase no lado psicológico. Ele até poupa o espectador, afastando a câmera do que poderia ser considerado extremo demais, mas mesmo assim o filme é para os que têm estômagos fortes. Vai provocar divisão, mas amando-o ou odiando-o, não é uma experiência rapidamente esquecida. Interessante notar que ele evoca imagens do Holocausto em diversos momentos, provavelmente uma das referências mais fortes do quão longe a perversidade humana já foi, e quando se coloca nesses termos, os acontecimentos do terceiro ato se tornam perturbadoramente verossímeis.

Laugier não se contenta em apenas assustar ou criar nojo, mas arrisca analisar a mente de vítimas e algozes. Não é exatamente profundo, afinal não vamos nos enganar - ainda é um filme de terror e quer chocar -, mas demonstra um pouco mais de coragem e traz a tona a discussão em torno de até que ponto um cineasta pode atravessar uma linha entre o que seria justificado e gratuito. Tanto ele quando os outros cineastas da nova onda de terror europeu querem fazer o mesmo que americanos e japoneses tentam, que é deixar o espectador assustado, enojado e tenso, mas o fato desses cineastas assumirem mais riscos e incomodar o espectador, desafiando os limites, deu um novo ânimo para os fãs do horror nessa década.
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Seul Contre Tous (1998)


Outros títulos: I Stand Alone (EUA) |
Sozinho Contra Todos filmow (BR)
Diretor: Gaspar Noé
Duração: 92 Minutos
País de origem: França
Áudio: Francês | Legenda: Português

Sinopse: A figura central da trama é o Açogueiro, saído do curta-metragem "Carne", também do diretor Gaspar Noé. Essa criatura violenta, petrificada, fica vagando por labirintos obsessivos repletos de recalques, ódio contra estrangeiros e homossexuais, com a sempre onipresente figura da filha que ele deseja de maneira doentia.

O que Gaspar Noé criou com "Seul contre tous" é quase impossível coloca rem palavras. É uma suroresa o quanto bom estranhamente bom, em um nível realista. O tom geral é sombrio desde o começo, a câmera e o som são usados adicionando uma nota vanguardista do filme. A introdução do personagem principal é como necessita ser. hilippe Nahon faz um trabalho incrível retratando aquele cara totalmente degenerado que parece tão normal para o mundo exterior dele, ele é tão bom que você se perde vendo e ouvindo ele, é um conflito constante entre entender e odiá-lo, entre julgá-lo e esperar que ele vá encontrar seu lado bom (mesmo que essa esperança seja muito rápida). Não é sobre um super vilão que quer destruir o mundo, não é sobre um herói que luta contra seus demônios internos, mas também não é sobre um assassino de sangue frio, é sobre um doente desesperado e bravo que está prestes a se perder e mesmo que ele esteja preso em uma situação relatável, o que ele faz com isso, é o que faz dele um dos personagens mais sinistros que muitos já viram (villewebster).

Mas, de acordo com (Chris Knipp) Philippe Nahon é forte no papel central. Na verdade, dificilmente se pode imaginar alguém mais jogando. Todos os personagens com os quais Nahon interage tendem a ser pouco mais que aparições estáticas. Há até momentos em que não temos certeza de que eles existem, as vezes suas declarações parecem fantasias, e essa incerteza mina a narrativa de outra forma contundente. Porém a crítica relata que o filme tende a se desintegrar em palavreado em excesso e finalidades alternativas em seus últimos capítulos. A narração ininterrupta parece ter funcionado bem até então, mas quando Noë recorre a uma segunda voz que se sobrepõe e aborda a violação sexual do pai de sua filha ao passar para a rua, a narração se torna um muro que nos impede de experimentar o que tem sido o filme, e a maneira até então brusca - a obscena linguagem e as explosivas divisões de imagens e os verbos corajosamente declarativos, diz ainda que é comum Noé fazer isso, onde o desejo em chocar e explorar técnicas cinematográficas engenhosas e chamativas é maior do que sua disposição em desenvolver uma história e personagens em profundidade. No entanto, há fortes sinais de um talento arrojado e original em exposição aqui e de um ponto de vista independente.
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Love (2015)


Diretor: Gaspar Noé
Duração: 130 Minutos
País de origem: EUA | França
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: Murphy (Karl Glusman) está frustrado com a vida que leva, ao lado da mulher (Klara Kristin) e do filho. Um dia, ele recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada, Electra (Aomi Muyock), perguntando se ele sabe onde ela está, já que está desaparecida há meses. Mesmo sem a encontrar há anos, a ligação desencadeia uma forte onda saudosista em Murphy, que começa a relembrar fatos marcantes do relacionamento que tiveram.

Assim como há na indústria pornográfica um punhado de diretores que constantemente tentam empurrar os limites de sua arte para o mainstream. Noe, um brilhante artista (irreversível e Enter the Void foram ambos brilhantes) tentou empurrar o envelope .. e acabou para alguns apenas um pornô, para outros lixo eletrônico, para outros passatempo tedioso, e para outros não apenas pornô, mas arte.

Projeto excessivamente ambicioso sobre um arco de amor milenar que termina em desgosto, mas quais são as lições aprendidas? Murphy (Karl Glusman) é uma estudante de cinema de mente aberta em Paris que conhece Elektra (Aomi Muyock), e os dois abraçam seus altos impulsos sexuais com vertigem. No entanto, depois que o relacionamento abraça a cultura de poliamor e swingers, apenas um dos dois é emocionalmente estável o suficiente para lidar com isso.

As vezes o filme pode se tornar claustrofóbico. De acordo com  PopcornGrindhouse O verdadeiro problema com "Love" é a falta de química entre Murphy e Elektra - nós simplesmente não o vemos, praticamente nunca. A escrita está lá, mas os atores simplesmente não conseguem entender. Isto é em grande parte porque - você está pronto? - eles não são atores; Noé conheceu Glusman e Muyock em um clube uma noite e pediu-lhes para estrelar. É claro que ele queria alcançar a dinâmica de relacionamento mais orgânica e natural na tela ao não usar "atores reais" - mas no que supostamente é um filme emocionalmente carregado, isso simplesmente não funciona.

A segunda metade do filme levanta o véu sobre o comportamento narcisista e emocionalmente abusivo de Murphy no relacionamento, e tragicamente, Glusman é um bom ator ao retratar um babaca instável (e Muyock é fenomenal quando grita com ele).
O filme termina no mesmo lugar em que começa, parecendo retratar Murphy no fundo do poço em uma dinâmica familiar horrível e acidental: um suporte apropriado para um relacionamento que foi destruído não por muito sexo, mas o próprio medo dele. O final é misterioso e poderoso, e sugere as ondas geracionais que serão sentidas por décadas por causa de suas próprias ações. É uma ótima história, e meio que bem-sucedida, mas acaba meramente tropeçando em sua própria interpretação da realidade, em vez de nos oferecer algo particularmente novo.
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The Seasoning House (2012)

Outros títulos:  A casa de tolerância | 
Vingança Muda
Diretor: Paul Hyett
Duração: 90 Minutos
País de origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: The Seasoning House é o nome do lugar onde moças são prostituídas aos militares durante uma guerra não especificada. Angel, uma moça surda-muda, é mantida aprisionada ali para cuidar de outras jovens quando induzidas por drogas a estados de estupor. 
Eis o filme que eu assistir e conheci através da Netflix, porém hoje não se encontra mais lá ...
Filme cru, poderoso e bem controlado, como se as vezes fosse longe demais, porém de alguma forma consegue afastar-se do abismo. Rosie Day é incrível como Angel e, embora ela não pronuncie uma única palavra, seu rosto nos diz tudo e nunca nos perdemos com o que Angel está sentindo. 
A primeira metade do filme tem uma qualidade muito semelhante a um sonho, como Angel, que é escravizada para cuidar das meninas prostituídas, realiza sua rotina diária de doping (heroína) das vítimas e depois as limpa depois de terem sofrido com os soldados muitas vezes. atenções perturbadoramente brutais. O Hyatt disse que foi fortemente influenciado pelo Labirinto de Pan, e certamente mostra nesta metade que Angel vagueia silenciosamente pela casa de tempero e nós vislumbramos o mundo como ela sente, ou mais precisamente, não o sente.
Não deixe a capa enganar você em pensar que é um filme de terror barato. Não é nada como o que a capa sugere.

A cinematografia estava no local (e às vezes gráfica); agindo além do ponto em diante; fluxo e direção não poderiam ser melhores; adereços e conjuntos pensativamente envolvente; narrativa criativa em mostrar abuso de poder por milícias armadas, neste caso, mostrado na Europa Oriental. E, como todos sabemos, ainda ocorre em todo o mundo em suas várias manifestações. A história também se aprofunda em como essa mentalidade abusiva e habilitada pelo poder se transforma em extrema manipulação abusiva de meninas e mulheres.
(imdb)
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Hated: GG Allin and the Murder Junkies (1994)


Diretor: Todd Phillips
Duração: 53 minutos
País de origem: EUA
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: Hated é um documentário de 1994 dirigido por Todd Phillips sobre a intensa vida do G.G. Allin, um vocalista punk, que respirou o Punk Rock durante sua vida, cuja carreira foi bruscamente encerrada por uma overdose de drogas em 1993 (ele pretendia se matar em um show, infelizmente não aconteceu como ele queria). Allin era conhecido por sua atitude infame, pelo comportamento imoral, pelo abuso de drogas, álcool, violência psicológica e, principalmente, por seus caóticos e impressionantes shows, recheados por sua postura política indecente (aparecer nu no show era algo comum para ele), defecar no palco, linguagem obscena, entre outras coisas.
GG Allin foi facilmente um dos indivíduos mais desagradáveis ​​e sem talento nos anais da música rock. Ele era rude, violento e totalmente insano. Vê-lo ao vivo era assistir ele jogar fezes, agredir o público, ele geralmente era espancado ou preso antes mesmo do show começar ... ainda assim, sempre haverá uma certa parte que sentirá falta dele.
GG era uma força, um passeio selvagem em vez de um indivíduo. Ele demonstrou uma total falta de empatia por outros seres humanos e eu acredito em pessoas que dizem que ele provavelmente teria sido um serial killer se ele não tivesse se tornado um 'artista'.
No entanto, independentemente de tudo isso, o documentário de Todd Phillips é absolutamente brilhante. Não passa nenhum julgamento sobre o homem ou sua música, mas documenta um fenômeno. Phillips olha para GG com honestidade inabalável e não camufla a verdade, não enrola (sugarcoat) a realidade do indivíduo perturbado que atacou o mundo ao seu redor. Se você tem algum interesse em documentários e como eles devem ser feitos, não procure mais do que Hated, que é uma visão honesta e séria da psicopatologia de um único outsider.
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The Devil's Reject (2005)

Outros títulos:  Rejeitados pelo Diabo
Diretor: Rob Zombie
Duração: 109 minutos
País de origem: Alemanha, Estados Unidos da América
Áudio: Inglês | Legenda: Português

Sinopse: O roqueiro Rob Zombie (ex-White Zombie) escreve e dirige Rejeitados pelo Diabo, um faroeste mega-violento em ritmo de punk rock da telona. Emboscados em sua própria casa pelo xerife Wydell (William Forsythe), a família Firefly revida o fogo, mas só Otis e sua irmã Baby conseguem escapar. Num motel de beira de estrada, os irmãos chamam seu velho parceiro Capitão Spaulding (Sig Haig) e chacinam quem lhes atrapalhar o caminho. A violência aumenta e Wydell decide cruzar a linha e fazer justiça com as próprias mãos, num dos mais depravados e aterrorizantes duelos do cinema estadunidense.
Rob Zombie conseguiu, aqui, incrivelmente, criar um dos filmes de horror definitivos da contemporaneidade. "The Devil's Reject" é, do início ao fim, uma autêntica aula de como se realizar uma produção do gênero - e mesmo que vez ou outra hajam deslizes pontuais na narrativa, isso não compromete a abordagem ousada do diretor, trazendo uma dosagem admirável de insanidade, tensão, violência, sadismo e emoção, combinados na tela com uma intensidade incrível (e ainda repleto de um senso de humor subversivo e uma excitante pegada 'western').
Após uma irregular e criticada primeira película, Zombie decidiu reunir os três personagens mais carismáticos de "House of 1000 Corpses" e mergulhá-los em uma estória mais ativa, e nas palavras dele mesmo "criar algo que pudesse agradar tanto os fãs do primeiro filme, como os não fãs". 
Enquanto aguardam o capitão Spaulding, para que possam, juntos, tentar fugir das autoridades; Otis e Baby fazem uma família refém em um hotel beira de estrada, dando origem a uma das melhores sequências do filme. Zombie aproveita tal momento, não apenas para criar momentos enervantes de horror e violência física e psicológica, como também, para se aprofundar na psique doentia de seus principais personagens, que se comprazem na dor alheia e no sofrimento humano, submetendo suas vítimas a situações humilhantes: em determinado momento por exemplo, Otis induz uma senhora de meia idade a fazer 'strip tease' e proferir obscenidades em frente ao marido; já em outro, vemos Baby obrigando uma das mulheres presentes a agredir fisicamente a outra.
Quem também recebe tridimensionalidade do roteiro é o xerife Wydell(quase uma versão texana do Travis Bickle de "Taxi Driver", que pretende extinguir a 'escória'do mundo com as próprias mãos): apesar de ser um cristão fervoroso e um 'homem da lei', Wydell mostra que pode ser tão violento e perverso quanto os criminosos que persegue e acaba perdendo completamente seus escrúpulos para poder saciar sua sede de vingança. Um falso moralista autêntico, que abusa de sua autoridade para depreciar quem ele julga seus 'subalternos' - vejam, por exemplo, o desprezo com que ele trata o crítico de cinema especialista em Groucho Marx, por julgar que esta é uma profissão inútil (cineplayers).

Por ser ambientado na década de 70, o soundtrack do filme possui músicas que fazem parte de dois subgêneros do rock que ficaram muito populares em algumas regiões dos EUA na época: Country Rock e Southern Rock, contudo, ele também aproveita músicas das décadas de 50 e 60. Artistas e bandas como o The Allman Brothers Band, Terry Reid, Elvin Bishop, James Gang e Lynyrd Skynyrd tem canções de sucesso presentes no álbum.
As canções juntas das cenas fazem o público se sentir no meio do ambiente agressivo que o filme tem, fazendo desta soundtrack, uma das melhores do cinema estadunidense – destaque para a cena final onde Os Rejeitados pelo Diabo seguem a mais de 100 km/h ao som de Free Bird nas estradas dos desertos norte-americanos ao encontro da polícia (musicaecinema).
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TUPINAMBÁ - A antropofagia e a troca dos mortos

Fleischmann et al. (1994) cita que os Tupinambá eram um subgrupo dos povos Tupi, desapareceram em fins do século XVI das regiões que eles habitavam, a costa dos atuais estados da Bahia, do Rio de Janeiro e São Paulo. O canibalismo então no Brasil é mencionado pela primeira vez no terceiro relato de Américo Vespúcio, as cartas de Vespúcio eram a leitura predileta no século XVI,e através delas constituia uma imagem do Brasil como "terra de canibais". O mapa do Brasil de 1503-4, conhecido como Kunstmann II, já ostenta como ilustração principal um índio assando um branco num espeto sobre brasas (ver abaixo na imagem). Apesar disso não houve nenhum relado a respeito nas décadas seguintes... O autor ao final diz que, Léry transparece em um curto trecho como deve ter sido o encontro entre Tupinamba (selvagens) e Europeus (civilizados): "aqueles, um povo ameaçado de escravidão, já marcado pela sua extinção próxima, estes, os Europeus, homens que devido a medos e fadigas encontravam-se em uma situação psíquica extrema, propensos a ver coisas que não existiam." Equívocos que podem ter consolidado seja porque, Anchieta desejava uma morte de mártir, ou porque simplesmente desejavam escrever um livro interessante para vender. 
Essa é uma versão de alguns autores, de que os Tupinambás não eram tudo o que contavam. Agora, outra versão...
Carta portulana: As primeiras cartas marítimas foram produzidas no fim do século XIII, início do século XIV. Seu objetivo principal era retratar com a maior precisão possível os litorais e os portos, [...] eles registravam as novas descobertas nas cartas marítimas. Entre as descobertas de Vespúcio na América do Sul estão a costa norte que vai de De Lisleo (San Lorenzo, Lago de Maracaibo) ao Rio de le Aues (rio Orinoco), e a costa leste do continente, depois do território entre o Cabo de São Roque e o Rio de Cananor. Neste mapa a faixa costeira do sul é identificada como “Terra Sanctae Crucis”. Uma inscrição e uma imagem no canto esquerdo inferior relatam a prevalência de canibalismo na região (wdl.org).

Outros olhares sobre o xamanismo tupinambá

"Apesar da multiplicidade de tribos, os índios da costa brasileira formavam um círculo cultural relativamente fechado. (...) Como entre todas as tribos sul-americanas, as concepções religiosas dos Tupi estavam dominadas pelo animismo e o xamanismo. O xamã, feiticeiro ou curandeiro, representava um papel central em todas as manifestações da vida de um grupo. Na sua qualidade de mediador das forças sobrenaturais era igualmente respeitado e temido. Não o cacique, mas o pajé era quem exercitava propriamente o poder sobre uma linhagem ou uma aldeia. Por ocasião de catástrofes, doenças, ritos de caça e acontecimentos semelhantes, devia apaziguar as forças invisíveis. Eram venerados os espíritos da natureza e dos ancestrais: contudo, os Tupi criam também num ser superior. Os missionários cristãos apropriaram-se dessa sua concepção religiosa, apresentando aos indígenas o Deus cristão como "Pai-Tupã".
"O canibalismo era conhecido entre todas as tribos índias da costa, sobretudo entre os Tupimambá, com a possível exceção das tribos meridionais dos Guaianaz e dos Carijó. A guerra tinha grande importância na vida dos indígenas. Os Tupi não só se encontravam num estado de inimizade permanente com as tribos do interior, mas combatiam-se também uns aos outros. Os Caeté e os Tupinambá da costa central do Brasil tinham fama de ser os guerreiros mais capazes e cruéis. Canibalismo e gosto pela guerra condicionavam-se mutuamente, porque os indígenas, não raramente, atacavam os seus inimigos com a finalidade de procurar vítimas para as festas canibalescas". 
(M C Bingemer et al., 2007).

A guerra pode ser considerada como "condição necessária" do processo de diferenciação social mediante a rotinização do carisma com relação ao acesso às atividades xamanísticas. Com isso, não é pretendido afirmar que os bem-sucedidos na guerra se transformam em Pajés.
Talvez canibalismo entre algumas tribos não seria condição necessária para ser Pajé, mas sim "a aquisição do carisma por intermédio da guerra e do sacrifício ritual representava uma condição básica do xamanismo"
O esquema de posições sociais e o desenvolvimento da carreira social entre os tupimambá excluíam a possibilidade de ascensão direta ao status de pajé e ao exercício das atividades xamanísticas.
Todavia, a importância da guerra da vida pessoa dos pajés era naturalmente variável; Pelo que se pode presumir, admitindo-se que todas possuíam um grau mínimo de qualidades de ajustamento indispensáveis, o xamanismo atraía três categorias de pessoas:
a) as que eram bem-sucedidas como guerreiros e "matadores" (isto é, sacrificantes), as quais praticavam o xamanismo como uma fonte suplementar de carisma;
b) as que encontravam nas atividades xamanísticas uma modalidade de compensação na acumulação do carisma
c) e as que se dedicavam a essas atividades em virtude da própria capacidade de lidar com o sagrado.
E o que acontece na forma assumida pelo xamanismo na sociedade tupinambá?
A guerra era uma "condição" para o acesso ao xamanismo deles. Como se vê duas eram as fontes de carisma e de diferenciação social com base nos dotes carismáticos: o sacrifício humano e o xamanismo. A guerra contribuía para configurar a estrutura social e o seu ritmo de funcionamento na sociedade tupinambá, através do sacrifício humano.
O canibalismo tupinambá tinha uma função religiosa:a de promover uma modalidade coletiva de comunhão direta e imediata com o sagrado.
Thevet, encontra na raiz do canibalismo tupinambá um elemento educativo: para que os jovens agissem como deviam na guerra era preciso que tivessem plena segurança de que sua morte seria "vingada", e que aspirassem a essa espécie de distinção por parte dos companheiros.
Também pode-se dizer que, colocar o canibalismo tupinambá entre as modalidades de canibalismo mágico como: a ingestão de carne humana representava um meio de captação de energias. De outro, a expressão coletiva dessas ações assumia uma função mágico-religiosa, pois poderia assim destruir o "suporte orgânico" da "alma imortal".
Os ritos de purificação, ou de renovação, transcorriam simultaneamente aos de antropofagia. 
(FERNANDES, 2006).

O casal Clastres buscavam a Terra sem Mal como efeito da colonização, sendo uma "recusa ativa da sociedade" indígena (CLASTRES, H. 1978, p. 68 apud COUTO, 2013) a Terra sem Mal seria a felicidade divina, e condenavam à morte da estrutura da sociedade e so seu sistema de normas no interior da própria sociedade indígena onde o "xamanismo desaparece no profetismo e o profetismo numa antropologia política." [...] as migrações foram resultantes unicamente vinculadas às tensões internas da sociedade Tupinambá, contra o surgimento do poder político (o "Estado") entre as várias comunidades indígenas, surgindo profetas errantes que estimularam a descentralização do grupo. 
Assim,a proposta de "cristianização do imaginário indígena" ou a "indigenização do sobrenatural cristão" onde havia conteúdos e elementos apresentados pelos jesuítas foram absorvidos pela cultura indígena porque se inseriam num preciso contexto significativo, isto é, faziam sentido, mas, em ordem reversa, causou desconfiança em relação ao significado de "conquista espiritual" em uma visão da construção negociada atribuída aos missionários jesuítas.
Finalmente.... é provável que a Mitologia Tupinambá e dos "Tapuias" com as suas manifestações ritualísticas e de culto tenham sido mais amplas com outros aspecto e e elementos que passaram despercebidos, incompreendidos, ou então não foram valorizados pelos cronistas que, mesmo com nacionalidades distintas tinham formação cristã, pois tratavam-se de padres jesuítas, um francês católico e outro protestante calvinista e um arcabuzeiro alemão.
(COUTO, 2013).


Referências:
COUTO, Ronaldo. Manifestações Culturais Dos Tupinambás no Brasil Colonial. Rio de Janeiro, RJ: Ed. do Autor, 2013.
FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. 3 Ed. São Paulo: Globo, 2006.
FLEISCHMANN, Ulrich; ASSUNÇAO, Mathias Rohrig; ZIEBELL-WENDT, Zinka. Os Tupinambá: realidade e ficção nos relatos quinhentistas. Penélope: revista de história e ciências sociais, n. 14, p. 23-41, 1994.
Maria Clara L. Bingemer. Inácio Neutzling SJ. João A. Mac Dowell SJ. A Globalização e os Jesuítas: origens, história e impactos. 1 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

TICUNA - Do Xamanismo à proibição Jesuíta

Sobre os Ticuna

Os Ticuna formam uma sociedade ameríndia de cerca de 50 mil pessoas, repartidas entre a terra do alto e a terra do baixo, em território brasileiro. Seu modo de organização social ainda hoje implica grande mobilidade, em razão da residência uxorilocal (segundo a qual os novos casais habitam junto à família da esposa), de cisões, práticas xamânicas, movimentos messiânicos e da situação socioeconômica. Os ticuna se encontram hoje em dois conjuntos territoriais, um deles correspondente às margens esquerda e direita do rio Amazonas, no Peru e Colômbia, e outro, mas bacias dos rios Cotuhué (Colômbia) e Putumayo (Colômbia e Peru).
Tanto no Peru como na Colômbia, os ticuna se confrontam há décadas com intrusões do undo exterior, como a proliferação de madeireiros e de frentes colonizadoras e movimentos religiosos que levam a práticas sociais e culturais dificilmente compatíveis com as suas.
As árvores ocupamum lugar de qualidade para os Ticuna, eles tinham concepção integradas no sistema da selva e um profundo significado que representavam, como a samaumeira, umari, açaizal, tueruma, e assim os mitos dos protetores das árvores chamados nanatu (dono, pai e mãe das árvores), como o Wuwuru, Curupira, Mapinguari, Daiyae, Beru... ( RICARDO e  RICARDO, 2011).
Fonte: Huttner (2007)

Vuórekê-djê-ê (Festa da Moça Nova)

podemos reconhecer os Ticuna caminhando em suas comunidades à beira dos rios, em alguma esquina da metrópole Manaus, mas não os conheceremos sem o ritual. O ritual da Festa da Moça-Nova representa, até hoje, a maiors manifestação da expressão da religiosidade Ticuna praticada em algumas aldeias do Alto Solimões;
Relato da Vuórekê-djê-ê:
Ao atingir a idade de 14 anos, a jovem ticuna é afastada do convívio da aldeia, ficando por vários meses recolhida. Aí a índia aprende a confeccionar redes com os mais variados tipos de árvores, escuta ensinamentos transmitidos por parentes e anciãos sobre boas condutas, crenças e tradições. O término desta fase é marcado pelo início da festa do "ritual da depilação", quando a jovem é transportada para um cubículo chamado de turi (cercado arredondado feito de fibras de  palmeira-buriti). Agora os familiares da iniciante e toda a aldeia fazem uma festa. É uma festa de três dias com refeições, bebe-se a principal bebida pajuaru, vários cantos são entoados e rimados no balanço das danças das máscaras. À meia-noite do terceiro para o quarto dia, o cubículo é derrubado por pessoas escolhidas da aldeia. Índios mascarados investem contra a jovem indefesa que necessita de proteção. A jovem retirada do cubículo é rodeada de parentes que a envolvem numa dança que vara a madrugada até o meio-dia. Exausta, é colocada no centro da casa de festa, sentada sobre uma esteira, enquanto anciãs arrancam seus cabelos pouco a pouco.  Enquanto depilam, é oferecido caiçuma para se embriagar. Ao terminar o ritual da depilação, a cabeça da jovem é coberta de tinta (misura de Urucum e seiva da árvore do tururi-vermelho), e depois colocam uma coroa feita com penas de arara vermelha. Assim dá-se por concluído o ritual da Festa da Moça Nova, que é celebrada na continuidade da dança das máscaras, mas agora com a jovem abraçada com seus parentes, preparada para o convívio da aldeia.
[...]
O mito da criação, como esta festa ritual - Vuórekê-djê-ê, mostra a tradição, a cultura, o sagrado do povo Ticuna, de um povo em sintonia com a natureza, a ecologia. Eram os galhos da samaumeira que cobriam o mundo dos heróis Yo'i e Ipi revelando um tempo sem noite, nem dia, A jovem Ticuna se transforma em meio à natureza, como parte integrante dela.

Ticuna e Xamanismo

Entre os Ticuna, o poder da cura está aliado à relação dos espíritos das árvores com o xamã (o curandeiro, feiticeiro) que os invoca para agir em benefício da coletividade, de cada índio doente. Segundo Ari Oro, 'O termo Ticuna para xamã é dy 'uvita. este podia agir como curandeiro (homem-medicina), através de plantas medicinais e outras substâncias, ou como feiticeiro (bruxo), por meio da magia negra. Os dois papéis do dy'uvita eram expressos diferentemente pelos Tucuna: dy'o:wu:e para curandeiro no:ke:wu:e para feiticeiro". 
(ORO, A. Tucuna: vida ou morte, op. cit., p. 83.)

Segundo Hoornaert (1994), o Xamanismo apresenta três características: a) O xamã vive num mundo imperfeito e em contínua crise. Suas visões se aperfeiçoam com o passar do tempo, na circunstância do dado histórico. Sua ação acontece quando exige uma intervenção imediata de ordem individual (doenças), de ordem social (guerras). "É o homem dos momentos difíceis"; b) O xamã está a serviço da comunidade humana e não dos deuses. Não está voltado para o mundo divino como liturgo, por isso não se agarra a nenhuma divindade. Sua devoção está voltada para o povo; c) Sua ação visa apropriar-se dos espíritos para colocá-las a serviço da libertação das pessoas e quebrar todas as amarras que interferem na aldeia. "enfim, o xamanismo se baseia num personalismo livre e sadio que corresponde ao modo de viver dos grupos nômades. [...] O xamã não pratica uma estratégia totalitária e, no fundo, não exerce nenhum poder de tipo político. Sua autoridade é de ordem simbólica. É autoridade sem poder. Exatamente por isso, defende com tanta garra a herança simbólica do grupo: os ritos e os mitos, as danças e cerimônias". 
(HOONAERT, E. História do cristianismo na America Latina e no Caribe. São Paulo: Paulus, 1994, p. 384).

A missão de Jesuítas na Amazônia

A Companhia de Jesus, idealizada por Inácio de Loyola sob o lema Ad maiorem Dei gloriam, teve suas regras aprovadas em 1540 pelo papa Paulo III. Caracterizou-se pela preparação dos membros em via espiritual e profissional para a missão, além das fronteiras do mundo cristão.
Os primeiros contatos dos missionários com os povos indígenas no rio das amazonas foram feitos a bordo dos barcos das coroas ibéricas, de modo que a missão teve que remar contra as correntezas da ideologia mercantilista e expansionista. A missão dos Jesuítas dependia das leis estabelecidas pelas duas Coroasm de outra representava o reconhecimento de novas fronteiras.

A Irmandade da Cruz
No ano de 1972, José da Cruz implanta a Ordem Cruzada Católica, Apostólica e Evangélica (OCCAE) nas comunidades ribeirinhas e nas aldeias Ticuna do Alto Solimões.
O impacto da OCCAE sobre brancos e índios deve-se à pregação e às exigências feitas nas comunidades.
A maior parte dos Ticuna do Solimões decidiu seguir o movimento do irmão José dentro dos pressupostos de todas as suas normas, doutrinas, bem como a exigência de um novo estilo de comunidade orientada pelo signo da cruz. [...] O movimento da Cruz não teve vínculo com a igreja católica, visto que em seus estatutos não admitem que seus membros participem de outra religião. A ruptura que se estabeleceu com a Igreja Católica, segundo Ari Oro, foi pelo fato de que os missionários capuchinhos negaram o sacramento do batismo aos Ticuna da OCCAE, o que levou o fundador a institucionalizar a figura do sacerdote. Outro aspecto é que os Ticuna da Cruz não reconheceram os Ticuna católicos, pois não se consideravam como índios. [...] A irmandade da Cruz proibiu a festa da moça nova em suas comunidades. Na entrevista que o autor fez com o irmão Valter das Nevez Cruz, perguntou-lhe o por quê dessa proibição. Ele disse: "nossa irmandade não permite, pois se você quiser pertencer à Cruz, deve deixar de lado as festas e as bebidas, por isso nós proibimos". 👎👏😒

Texto: (HUTTNER, 2007).

Referências:
BETO RICARDO e FANY RICARDO. Povos indígenas no Brasil: 2006/2010. são Paulo: Instituto socioambiental, 2011.
Huttner, Édson. A Igreja Católica e os povos indígenas do Brasil: os Ticuna da Amazônia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007.

A arte do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin

Inspirado no filme O sonho do nixi pae (2014), o artigo percorre a trajetória do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin, traçando paralelos entre o percurso do grupo e a travessia mítica dos huni kuin que atravessaram o jacaré-ponte. O artigo se dedica a pensar a música e suas transformações em artes visuais e audiovisual desde uma teoria da tradução nativa.

O povo Huni Kuin

Os Kaxinawá – também conhecidos por Cashinauá, Caxinauá e Huni Kuin – são pertencentes à família linguística Pano e habitam a floresta tropical no leste peruano, do pé dos Andes até a fronteira com o Brasil, no estado do Acre e sul do Amazonas, abarcando respectivamente a área do Alto Juruá e Purus e o Vale do Javari. No Peru, as aldeias kaxinawá se encontram ao longo dos rios Purus e Curanja; as aldeias acreanas se espalham pelos rios Tarauacá, Jordão, Breu, Muru, Envira, Humaitá e Purus (GUESSE, 2014).
Fonte: Mattos (2015)

Os rituais

De acordo com Lagrou (2004, on-line), o txidin é um ritual anual, que acontece no xekitian, tempo do milho verde (ou é realizado depois de um rito funerário por uma morte importante, de um chefe ou xamã), que serve para proteger os vivos, reforçando sua fé e levantando-lhes o ânimo. O txidin faz parte da sequência do ritual do nixpupimá. 
O Katxanawá é o ritual da fertilidade, normalmente acontece várias vezes por ano, existe em várias versões e pode iniciar o nixpupimá. O elemento central desse ritual é um tronco oco da paxiúba (katxa), que representa o útero e é enfeitado com tubos de macaxeira e banana, que representam o elemento masculino. “O katxanawá tem a característica de complementaridade entre os sexos. Ambos os sexos participam do ritual e esta participação tem conotações sexuais explícitas” (LAGROU, 2004, p. 8, on-line). 
Para o ritual específico de iniciação (nixpupimá), apenas as crianças que já perderam seus dentes “de leite” e têm crescidos seus dentes permanentes são reunidas na casa do líder. Elas são colocadas em redes penduradas num canto da casa e não devem se mover; suas mães sentam ao lado de suas redes, balançam-nas e cantam, enquanto os pais dançam ao redor do fogo, rezando para que seus filhos cresçam fortes. Na manhã seguinte, as crianças recebem banhos medicinais, cortam o cabelo, são pintadas com jenipapo, lavam os dentes e tomam caiçuma de milho. 
Os kaxinawá, segundo Lagrou (2004), consideram o nixpu fundamental para a saúde dos dentes, fortalecendo-os e protegendo-os. Além dos dentes enegrecidos, os kaxinawá desenham o corpo com jenipapo e pintam-se com uma pasta vermelha de urucum. Mais a frente, trataremos dos desenhos kaxinawá. Nesta ocasião, as meninas recebem um banho específico para aprenderem a técnica do desenho kene (kenedau)

Historia por Mattos (2015)

Primeiro vamos falar dos Huni Kuin (Kaxinawa). Ibã é filho de Tuin, foi com o pai que aprendeu a cantar. Se formou professor aprendendo a escrever e pesquisar. O seringal onde  abrigavam-se foi herdado por sua família de patrões brancos depois de muito trabalho e sob indentidade de cablocos brasileiros, trabalhadores e civilizados. Em 1984, o seringal se tornou terra indígena, onde os Huni Kuin passaram a ser reconhecidos novamente como povo indígena. Professor indígena que tem como projeto coletivo a pesquisa, os Huni Meka, os cantos de Nixi Pae (bebida ayahuasca) entre outros. Em 2006, publicou um livro chamado Nixi pae - O espírito da floresta. 

Estou resumindo aqui, mas é muita história pra contar em seu trabalho !
"Nosso trabalho tem origem, portanto, na convergência de canto, desenho e vídeo. Os desenhos traduziam a música numa visualidade própria a esse universo musical e o vídeo fornecia recursos para evidenciar essa relação. "

Os comentários aos cantos (pôr no sentido, ver adiante) feitos por Ibã no vídeo, simulam essa articulação na medida em que não explicam, e sim criam um texto paralelo à imagem-música, tal qual o desenho propõe em relação à música-texto.

Fonte: Mattos (2015)
Fonte: Mattos (2015)

Fonte: Mattos (2015)

Fonte: Mattos (2015)

Referências:
GUESSE, Érika Bergamasco. Shenipabu Miyui: literatura e mito. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – UnEsP, Faculdade de Ciências e Letras, Campus de Araraquara  425 f. 2014.
LAGROU, Elsje Maria. Kaxinawá, 2004. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa/print>. Acesso em: 19 abr. 2019.
MATTOS, Amilton Pelegrino. O sonho do nixi pae. A arte do MAHKU–Movimento dos Artistas Huni Kuin. ACENO-Revista de Antropologia do Centro-Oeste, v. 2, n. 3, p. 59-77, 2015.

A cosmovisão Xamânica kaxinawá

Os Kaxinawá acreditam que os verdadeiros xamãs (chamados de mukaya), ou seja, aqueles que tinham dentro de si a muka – substância amarga e xamânica – não existem mais. Isso, porém, não impede que outras formas de xamanismo, menos poderosas, mas igualmente eficientes, sejam praticadas. O xamanismo é uma prática quase exclusivamente desenvolvida pelos homens, cujo objetivo é conhecer e curar através do contato com o lado yuxin da realidade. Para que esse contato se estabeleça, é necessário haver uma transformação corporal e de consciência; é preciso atingir um estado alterado de consciência para ver e interagir com a yuxindade. (LAGROU, 2004, on-line).
O yuxin pode se manifestar tanto como uma força vital quanto como alma ou espírito com personalidade e vontade próprias. Yuxin pode significar também uma imagem fiel, uma réplica de um ser vivo, por isso uma foto pode ser yuxin e um retrato bem feito também: 
Yuxin é espírito ou alma, mas estas traduções não cobrem bem seu significado. Pelo que pude observar no uso da palavra yuxin pelos Kaxinawá, yuxin não é algo sobrenatural ou sobre-humano, localizado fora da natureza ou fora do humano. O espiritual ou a força vital, yuxin, permeia todo fenômeno vivo na terra, na água e nos céus. Por ter essa yuxindade em comum, a comunicação, a transformação e a percepção dos yuxin pelo olhar humano tronam-se possíveis (LAGROU, 1996, p.197- 198 – grifos no original). 
Os Kaxinawá são também conhecidos por  Cashinauá, Caxinauá e Huni Kuin. Pertencentes à família linguística Pano e habitam a floresta tropical no leste peruano, do pé dos Andes até a fronteira com o Brasil, no estado do Acre e sul do Amazonas, abarcando respectivamente a área do Alto Juruá e Purus e o Vale do Javari. No Peru, as aldeias kaxinawá se encontram ao longo dos rios Purus e Curanja; as aldeias acreanas se espalham pelos rios Tarauacá, Jordão, Breu, Muru, Envira, Humaitá e Purus (GUESSE, 2014).
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A pessoa é constituída por um corpo carnal habitado por vários yuxin. “O corpo acordado e saudável está com todos os seus yuxin presentes”. Os dois yuxin principais são: Yuxin do olho: ou alma do olho (bedu yuxin) ou ainda verdadeira alma (yuxin kuin); tem origem e destino divinos e sua ligação com o corpo é efêmera; é o mais vital dos yuxin e a pessoa morre quando o yuxin do olho sai para sempre.
Yuxin do corpo: ou alma do corpo (yuda yuxin); é um aspecto da substância do corpo, que o envolve como uma pele exterior e é percebido como uma aura, uma luminosidade; está ligada à sombra e ao reflexo da pessoa; depende do corpo para existir, já   que sem ele a sombra se torna um monstro, uma ameaça. “O espírito do corpo cresce junto ao corpo e sua força depende do aprendizado verbal e consciente do indivíduo durante a vida. Seu destino é de desaparecer na medida em que o corpo morto se desfaz” (LAGROU, 1996, p. 207).
Além desses dois, o corpo humano ainda possui outros yuxin menores, secundários: espírito do sonho (nama yuxin), yuxin das fezes, da urina, dentre outros.
A atividade do xamã de se racionar com os yuxin é indispensável para o bem estar da comunidade; os Kaxinawá acreditam que a causa de todo mal ou doença esteja no lado yuxin da realidade, portanto a função do xamã como mediador é fundamental. Para entrar em contato com a yuxindade, os Kaxinawá têm quatro caminhos. O primeiro deles é a prática coletiva dos rituais, nos quais os yuxin entram em cena em forma corporal; homens e mulheres se mascaram e representam os yuxin no drama ritual, materializando a relação de toda a comunidade com a yuxindade. 

Os outros caminhos são individuais e o contato com a yuxindade acontece na viagem do yuxin do olho (bedu yuxin) que, por sua vez, pode se dar de três formas: quando a pessoa sonha, quando cheira rapé e quando toma a bebida alucinógena nixi pae.
Deve ficar claro que todos os homens adultos que tenham coragem e queiram podem cheirar o rapé e tomar o nixi pae, não apenas os xamãs. Para os Kaxinawá, o nixi pae tem a capacidade de aumentar a consciência e a percepção do lado espiritual e invisível do mundo. No entanto, o uso dessas substâncias pelos xamãs tem o objetivo primeiro da cura, o que não é possível para um homem “comum”:
Nixi pae significa “cipó forte, que embebeda”, e se refere à beberagem feita do cozimento do cipó Banisteriopisis caapi com a folha da Psichotria. Outros termos usados pelos Kaxinawá para se referir ao nixi pae são huni (gente), dami (transformação), dunuã isun (urina da sucuri).
O uso dessa substância psicoativa é muito difundido entre os povos indígenas na Amazônia e deu origem ao Santo Daime entre os seringueiros do Acre. No Acre, a bebida, quando tomada fora do contexto do Daime, é chamada de cipó, no Peru de ayahuasca, na Colômbia de yagé (LAGROU, 1996, p. 198 – grifos no original). 
Yunxidade é uma categoria que sintetiza bem a cosmovisão xamânica dos Kaxinawá, uma visão que não considera o espiritual (yuxin) como algo sobrenatural e sobre-humano, localizado fora da natureza e fora do humano. O espiritual ou a força vital (yuxin) permeia todo o fenômeno vivo na terra, nas águas e nos céus.
O uso da ayahuasca, considerado privilégio do xamã em muitos grupos amazônicos, é uma prática coletiva entre os kaxinawa, praticada por todos os homens adultos e adolescentes que desejam ver "o mundo do cipó". O mukaya seria aquele que não precisa de nenhuma substância, nenhuma ajuda exterior para se comunicar com o lado invisível da realidade. Mas todos os homens adultos são um pouco xamãs na medida que aprendem a controlar suas visões e interações com o mundo dos yuxin.
O xamã tanto pode causar a doença quanto curá-la; o xamã pode entrar em contato com os yuxin e pedir-lhes que matem ou curem uma pessoa. Durante o sonho ou quando está em transe (sob o efeito do rapé ou do cipó), a viagem do yuxin do olho do xamã pode ir em busca da cura de um caso concreto, mas também podem realizar viagens exploratórias, para entender o mundo, adquirir conhecimento e saber as causas das doenças, exploram os caminhos que o yuxin do olho dos mortos terão que trilhar até chegar ao céu e fortalecem as relações com mundo espiritual pelo bem-estar da comunidade (LAGROU, 2004, on-line). 
Nesta primeira narrativa, além da prática de cheirar o rapé de tabaco (muito importante para os kaxinawá, como explicado anteriormente), que intitula o texto, ainda estão presentes os seguintes costumes: prática de dormir na rede (comumente utilizada até os dias de hoje nas aldeias); prática do roçado; prática da caça; prática da pesca (neste caso, pesca-se o bodó nas águas do igarapé) prática da luta, com a utilização de algumas armas (neste caso, a flecha e a borduna); costume de tomar banho no igarapé; dança e canto; estudo para ser pajé (estudo bastante específico e considerado um grande desafio para os aprendizes; este estudo tem características que podem variar de povo para povo); práticas alimentares (neste caso são citados o nambu cozido na caçarola de barro e as bananas cozidas com peixe bodó).
Sobre o que foi citado acima "O xamanismo é uma prática quase exclusivamente desenvolvida pelos homens" há um outro artigo sobre uma Pajé, mulher, que conta um pouco de sua visão, aqui: "Boto Rosa e o Xamanismo na Amazônia"

Referências:
GUESSE, Érika Bergamasco. Shenipabu Miyui: literatura e mito. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – UnEsP, Faculdade de Ciências e Letras, Campus de Araraquara  425 f. 2014.
LAGROU, Elsje Maria. Kaxinawá, 2004. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa/print>. Acesso em: 19 abr. 2019.
LAGROU, Elsje Maria. Xamanismo e representação entre os Kaxinawá. In: LANGDON, E. Jean Matteson (Org.). Xamanismo no Brasil: novas perspectivas. Florianópolis: UFSC,
1996.