O folclore da Mula sem Cabeça

De acordo com Fúlvio (2006) A história da Mula-sem-cabeça foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses. Ela fala de um ser que solta fogo pelo pescoço e assombra os povoados. É uma mulher que se apaixonou por um padre e, por isso, acabou se transformando nesse monstro. Toda noite, de quinta para sexta-feira, a mulher vira a Mula-sem-cabeça e sai galopando até amanhecer. Ela ameaça os homens que se colocam em seu caminho. Mas o encanto pode ser desfeito tirando seu cabresto ou extraindo um pouco de seu sangue com um objeto pontiagudo, como um alfinete.

Faleiro (2010) traz acréscimos adoráveis sobre: A lenda da mula sem cabeça é uma das mais antigas que conhecemos e faz parte do folclore brasileiro. Trazida para a América pelos colonizadores espanhóis e portugueses. O autor diz que a lenda é originária dos povos da Península Ibérica e também faz parte do folclore do México, onde é conhecida como "Marola". Há relatos da lenda na Argentina, cujo nome é "Mula Anima". Aqui no Brasil, teve sua origem primeira na Região Nordeste, depois se espalhou. 
Diz a lenda que ela percorre sete povoados numa só noite, e quem ela encontra pelo caminho ataca, come os dedos com as unhas e os olhos. Quem já viu e ficou vivo para contar, conta que ela tem cabeça sim, mas como solta fogo pelas narinas, ouvido e pela boca, sua cabeça fica totalmente coberta, apenas uma grande labareda de fogo no lugar onde seria a cabeça, daí o nome. Há várias versões e todas cariam de local, costumes e época em que foram contadas.
Curiosidades: alguns pesquisadores acreditam que essa lenda tenha surgido por volta do século XII, na Europa, Precisamente Península Ibérica, na época em que mulas serviam de transporte para vários povos, incluindo religiosos, bispos e padres católicos.

É um mito que já existia no Brasil colônia. Apesar de ser comum em todo Brasil, variando um pouco entre as regiões, é um mito muito forte entre Goiás e Mato Grosso. Mesmo assim não é exclusivo do Brasil, existindo versões muito semelhantes em alguns países Hispânicos. Conforme a região, a forma de quebrar o encanto da Mula, pode variar. Há casos onde para evitar que sua amante pegue a maldição, o padre deve excomungá-la antes de celebrar a missa. Também, basta um leve ferimento feito com alfinete ou outro objeto, o importante é que saia sangue, para que o encanto se quebre. Assim, a Mula se transforma outra vez em mulher e aparece completamente nua. Em Santa Catarina, para saber se uma mulher é amante do Padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em fita com o nome dela, e se o ovo cozer e a fita não queimar, ela é.
Imagem: On Fire by pandacapuccino
É importante notar que também, algumas vezes, o próprio Padre é que é amaldiçoado. Nesse caso ele vira um Padre-sem-Cabeça, e sai assustando as pessoas, ora a pé, ora montado em um cavalo do outro mundo. Há uma lenda Norte americana, O Cavaleiro sem Cabeça, que lembra muito esta variação.
Algumas vezes a Mula, pode ser um animal negro com a marca de uma cruz branca gravada no pelo. Pode ou não ter cabeça, mas o que se sabe de concreto é que a Mula, é mesmo uma amante de Padre  (portalsaofrancisco).
Imaginemos, o Brasil recheado de folclore que poderia ser utilizado em filmes de terror, infelizmente é pouco utilizado, como seria por exemplo um filme de terror folclórico com a mula sem cabeça? O enredo contado em um filme! Capricornus Cruentum deixa essa imaginação para vocês. Uma mistura de religião, punição e devaneios. Poderia não ser a mula ao pé da letra, ou poderia da um ótimo trash gore. hahaha
Imagem: Mula Sem Cabeca - Bestiario do Folclore N by elchavoman
Referências
BRANDÃO, Antônio de Pádua. A Mula-sem-cabeça. 2 Ed. São Paulo: Studio Nobel, 2002.
FALEIRO, Angelita. Desbravando nosso Folclore. 1 Ed. São Paulo: Biblioteca14horas, 2010
FÚLVIO, Giannella Júnior. MENGOZZI, Frederico. [baseado na obra de Monteiro Lobato] Folclore Brasileiro. 1 Ed. São Paulo: Globo, 2006.
https://www.portalsaofrancisco.com.br/folclore/mula-sem-cabeca

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